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| Imagens de Francesco Romoli |
Ele, que sempre repetia tudo que via e
ouvia, sem nunca buscar saber a verdade, por preguiça ou desleixo, acabou um
dia seguindo uma multidão com panelas e palavras de ordem. Ficou feliz, quem
não ficaria, parecia final de copa do mundo e final de copa do mundo é uma
festa só, não é? O problema é que ultimamente não andamos muito bem das
pernas em copas do mundo. Não foi festa.
Não satisfeito, engrossou o caldo em um
espetáculo de circo armado. Gritou, junto com outros, hinos de despedida.
Ficou, porém, com vergonha de perguntar quem era tão querida assim para todos
se despedirem dela e continuou.
Depois, ainda sob os efeitos da doença
da repetição e com os olhos vidrados à TV, falava baixinho um mantra mal feito
sobre alguma coisa como não falar em crise e se mexer. Foi quando acordou e
revolveu se concentrar no trabalho e estudos, “nada de crise, nada de crise”.
Logo lembrou-se de que não teria mais
aulas de espanhol, de que tanto precisava, mesmo morando em um continente em
que todos falam essa língua (exceção do Brasil, claro) e esta sendo a segunda
mais falada no mundo. E de que no país do futebol, das recém olimpíadas e tão
necessitado de movimento, a educação física iria ser reserva. Mais ficou feliz
por não mais ter filosofia e sociologia, afinal, pensar para quê?, repetir já
estaria muito bom.
Foi ainda feliz ao trabalho, afinal de contas era concursado. Daqui não me tiram, falava sorrindo.
Foi o primeiro a ser demitido. Mas por
que, se perguntava atônito, como?
Ainda pensaram em explicar, mas ele não
entenderia.
Voltou pensando em usar o
FGTS para comprar a casa própria...

















