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| Rose meditative - Salvador Dalí |
Ele, que de longe mais parecia um artista de cinema, totalmente dentro
daquele quadrado do padrão de beleza, passeava no seu carro, que há pouco
estampara a revista conceito de automobilismo, pela cidade. Vestia o mais fino
terno que encontrou na loja de nome impronunciável e exalava o mais suave
perfume da boutique que nem sequer sabia que existia. Ao lado, a mais bela
jovem que jamais havia visto na vida. Tudo que podia comprar, comprou.
Uma luminária de cristal que nunca acendia, talheres de ouro que não
usava, cachorros que nunca cuidava, animais silvestres por suas cores bonitas.
Um dia, depois de mais um passeio como o de sempre, percebeu que algo
estava faltando. Procurou por todas as partes; dentro da piscina em forma de
diamante, embaixo dos muitos carros, dentro de todas as casas que tinha. Não
encontrou.
Descobriu depois, olhando para o jardim, que o jardineiro havia
encontrado aquilo que tanto tirava o seu sono, e nem sequer havia gasto um só
centavo. Era lindo de se ver aquele homem exalando tanta felicidade com o
perfume de uma rosa. Correu de encontro à mesma rosa e tentou por várias vezes
sentir o mesmo. Em vão. Com raiva, despedaçou toda a flor e gritou impropérios
ao vento.
– Para ser
feliz - disse o jardineiro - não precisamos de muito. Estar disposto a isso já
é um grande começo.
O silêncio
veio em seguida.
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