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| Foto de Bruno Mota Pinheiro. |
Estava
ontem a pensar sobre o real sentido da vida e o desespero se abateu sobre
minhas asas. Tanto céu, tantas nuvens, tanto vento e eu aqui perdido, não no
espaço, mas nos pensamentos. Sei muito bem onde estou, por isso essa minha
agonia.
Todos
os dias sempre buscava as migalhas do 43, todos os dias. O céu para mim estava
sob o céu, abaixo daquela janela. Ela sabia que eu iria naquele horário e
observava-me com timidez, com vergonha, com inveja. Sim, assim como eu, ela
também buscava um sentido, buscava encontrar-se em pensamentos, pensava que a
vida era um sonho.
A
vida talvez seja um sonho, quem sabe? O problema é que ela tentou despertar. Do
alto do prédio, observou o horizonte, como quem diz oi ou adeus, bateu asas,
mas não voou.
Hoje,
sinto uma dor imensurável, não sei se pela falta das migalhas de cada dia, ou
por ter asas e não voar.
* Conto retirado do livro Não se pode mais mar em paz hoje, e inspirado na foto da postagem.
