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Antes de mais, sim, homem dança. Antes de tudo, não. Não é um
bicho de sete cabeças (na verdade não é sequer um bicho).
Reza a tradição popular que
há duas explicações lógicas para o homem que não sabe dançar (poderia ser a
mulher também). Primeira: vergonha de errar, de se expor, de parecer ridículo.
Segunda: Engoliu um cabo de vassoura.
Admito que, indo em
contradição à famigerada música, o primeiro passo não é fácil (leia-se ter a
atitude de começar). Há, ainda hoje, infelizmente, muitas pessoas que pensam
que a dança não é uma atividade masculina, pobres almas, e isso reflete muito
na opinião alheia (as antigas e velhas conhecidas amizades). E há àquelas que
veem essa arte como um bicho de sete cabeças.
Aos primeiros deixo meu
silêncio (que já é muito). Aos segundos, digo: não existe bicho nenhum na
dança, independente do ritmo escolhido. Como disse um professor certa vez, se
você sabe caminhar, saberá dançar, e isso é uma verdade incontestável.
Outra verdade é que o
principal sinônimo da palavra dança é autoestima. Não existe restrições quanto
à idade, peso ou altura. O casal perfeito não é o mais bonito, tampouco o mais
esbelto. Sim o que flutua.
Há também, algumas
verdades ocultas, ou que demoramos a percebê-las. É a verdade dos olhos
alheios. Acredite, ninguém está olhando para você ou julgando se os seus
movimentos estão certos ou errados, mas não adianta dizer, você só admitirá
isso depois de certa prática, quando já estiver elaborando passos complexos e
ninguém como plateia.
A dança é, acima de tudo, uma
atividade de disciplina, de cavalheirismo, de bons modos,
de elegância. É uma metáfora da vida e do relacionamento a dois. Há que
saber confiar no outro e onde e como pisar.
E por último, dançar é saber
utilizar a primeira ação da harmonia, escutar. Não há dança sem música, isso
parece ser bastante claro, mas não se engane, saber executar passos aleatórios
não é dança, se esta não vier acompanhada da harmonia da canção.
Entrei nesse mundo
mágico-real há alguns meses, (sim, cuspi o cabo de vassoura e a vergonha de
errar) e todo dia após mais uma aula ou baile, uma pergunta vem à mente. Por
que diabos não comecei mais cedo? Nunca me conformo.
