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| Fisherman - Claudio Souza Pinto |
Imagine a
seguinte situação: você está andando pela rua e de repente todos os habitantes
da cidade abrem suas janelas e de lá arremessam papéis com escritos
representando seus sentimentos, pensamentos, opiniões e, claro, muitas folhas
em branco. Você ainda tenta ler algumas, na tentativa de conseguir completar a
caminhada, mas a quantidade de papel é
tão absurda que você sucumbe em meio ao mar de folhas.
Loucura? Essa
sem dúvida seria a rede social que conhecemos hoje, se não tivessem inventado a
internet. Já imaginou?
Que bom então
que a inventaram, certo? Certo, foi de grandíssimo valor. Muitas coisas ficaram
mais rápidas, mais fáceis, mais cômodas, o mundo ficou pequeno. E parece que
nossa mente também. Essa rapidez, esse imediatismo que a internet nos condicionou, reflete-se nos nossos sentimentos. Amamos
mais rápido.
Que maravilhoso!
– gritou alguém lá da calçada.
Ratificando,
postamos que amamos mais rápido. O que temos que ter em mente é que muita coisa
entra e sai de moda. Roupas, por exemplo. Hoje achamos meio ridículo os trajes
que usamos (ou vimos) nos anos de 1970, mas à época eram ‘supimpa’. Não
transformemos o amor em uma roupa, o amor não está na moda. A moda acaba com as
pessoas, destrói a personalidade, te força a algo. Se seu amor envolve isto,
lamento.
O que está em
moda hoje, e mais um vez repito, não confundamos, é a tal da # (hashtag), e se
ela vier acompanhada de um te amo, então – #teamo – é como se usássemos uma
calça boca de sino nos anos da brilhantina, você é igual a todo mundo.
Ser igual nem
sempre é bom, certo? – perguntou a menininha que passeava com o cachorro.
Nunca é bom. Se
você ama, diga que ama, poste 25 # (hashtags) e tudo o que tem direito. Mas por
favor, não siga uma moda que você possa se arrepender no outro dia. Roupas não
têm sentimentos.
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