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| Passion - Claudio Souza Pinto |
Se perguntarem se o amor é bom ou ruim tudo vai parecer bastante simples e até bobo, você dirá: “– ora bolas, o amor é bom. Todo amor é
bom. Eu inclusive amo e estou muito feliz”. Mas será que todo mundo compartilha
dessa opinião?
Antes de tentar
responder se o amor (aquele de pele, de alma – não falo paixão porque esta é
fumaça fraca que o vento leva) é bom ou ruim, caminharei por palavras menos
rasas, por caminhos mais sombrios.
Imagine uma
estrada escura, deserta, silenciosa. Imagine que você tem outra opção e, mesmo
assim, escolhe essa estrada para seguir sua caminhada. Você não sabe o que vai
encontrar ou se vai encontrar algo. O que vai determinar se será uma viagem boa
ou ruim será a forma como se caminhará pela estrada. Você pode decidir caminhar
com esmero, com um medo velado a cada passo, ou fechar os olhos em meio ao
escuro e confiar no desconhecido, sem medo de tropeçar em uma pedra que seja.
Nunca sabemos
quando uma estrada é boa ou ruim ou onde ela nos levará. Nunca sabemos quem
talvez colocou aquela pedra que nos fez cair ou como encontramos aquela pessoa
que nos ajudou a levantar. Não existe vida planejada (caminhada), isso é
balela. Existe, sim, expectativa, quimera. Da mesma forma, não existe amor dos
sonhos, perfeito, existe amor real, com pedras e flores. Não existe segurança
em meio ao escuro. Existe confiança, caminhada, medo, frustrações e
realizações. Saber todas as possibilidades torna o caminhar sempre menos
escuro, mais seguro, mais leve.
