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| Marcel Caram |
Outro dia, uma
cena bastante curiosa, apesar de comum, infelizmente, chamou-me a atenção. A
ausência havia saído para comer. "O que há de errado, hora mais! Todos têm
esse direito". O problema é que aquele silêncio estava-me cortando a
espinha.
Haviam três à
mesa, mas somente a ausência fazia-se presente. Era uma convidada de honra, uma
amiga do peito, uma constante durante todo o encontro. Era ela, inclusive, quem
falava ao garçom o que os outros dois queriam comer, beber e quando poderiam se
levantar para ir ao banheiro.
Por todo o tempo
que permaneceram lá, em nenhum momento se olharam nos olhos, trocaram palavras,
ou riram de alguma bobagem. Por todo o tempo comeram e não saborearam,
beberam e não mataram a sede, estavam juntos e ao mesmo tempo distantes.
Quando saíram do
restaurante e guardaram seus respectivos celulares no bolso, pareciam Adão e
Eva quando da vergonha de estarem nus. Eram dois estranhos sem ter o que dizer
um para o outro. Preferiram o silêncio de um beijo seco.
A ausência foi a
única quem percebeu que a pizza estava estragada.






