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| Obra Batucada, de Carybé. |
Ah, o carnaval! Quantos gritaram aos sete ventos e em muitas ladeiras
que iriam aproveitar ao máximo aqueles dias antes de voltar à vida “normal”?
Quantos falaram baixinho que não poderiam perder tempo? Quantos não se deram
conta de que com ou sem carnaval continuamos mortais?
O carnaval, como tantos outros dias festivos no nosso calendário, é o
retrato quase perfeito da nossa vida cotidiana. Vivemos esses dias sabendo a
data exata que acabará, por isso, quase sempre são vividos intensamente. São
nesses dias que temos mais coragem de ir além, porque perder tempo não é opção.
São nesses dias que a vida é mais alegre, porque a tristeza não tem vez.
São nesses dias que acordamos pensando em fazer algo diferente do dia anterior,
usar uma outra fantasia, ser o que sonhou, porque tudo dura pouco, tudo é
efêmero.
São nesses dias que nos esquecemos de que todos os outros dias da nossa
vida são como no carnaval, com a sutil diferença de que não sabemos quando irão
acabar. Será que teremos tempo de esperar mais um ano para vivermos
intensamente cada dia com o sentimento de que tudo irá acabar rapidamente?
