terça-feira, 3 de novembro de 2015

O problema do mundo não está nos outros

Arte de Tommy Ingberg

“Ah! Como é bom culpar aos demais, não é verdade?”
Tenho certeza de que ninguém nunca ouviu alguém falar isso – EU ADORO CULPAR OS OUTROS!! HA-HA-HA, mas certamente em algum momento o fez (ok, a risada maligna foi um exagero), de uma ou outra maneira. Nós, muitas vezes, culpamos o outro para parecermos melhor, sem perceber que isso não funciona da maneira que pensamos.
– Não fui eu, foi o gato...
Culpar o outro não conserta o que foi feito, muito menos nos deixa menos culpados. Isso também vale para relacionamentos. Acredite, os astros não sabem que você namora, então, não culpe o signo do outro pela sua falha.
­– Ah, mas ele era de escorpião...
Isso me lembra uma história fantasiosa de um homem que todos os dias chegava atrasado no trabalho e usava de uma desculpa para justificar esse atraso – foi culpa do trânsito – da chuva – do pneu que furou – Até que chegando ao final do ano e sem mais a quem ou o que culpar, resolveu sair cedo de casa e em um passe de mágicas, pluft, chegou na hora certa.

Essa mesma mágica funciona em todos os momentos da vida, em todas as atitudes, em todos os lugares. Tenta, qualquer dia desses.

________________________


Gostou? Curta, compartilhe, Clique aqui e comente!

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O vazio está em todo lugar

Arte de  Mark Samsonovich


Era uma vez, em lugar muito distante, de uma cidade inventada, quase impossível de existir, um rapaz chamado Vazio, que de tão absurdo, também devia ser fantasia.
Era uma pessoa comum, tinha amigos, cachorro... Porém, parecia ser diferente dos demais. Ele sofria de um mal raro, que por muito tempo pensou-se ser incurável e contagioso.
As pessoas, no começo, olhavam de uma forma diferente para ele, com um olhar de estranhamento e reprovação, o que  o deixava bastante constrangido e envergonhado. O tempo, entretanto, fez com que ele se importasse cada vez menos com esses olhares. Até que um dia tudo pareceu normal.  
Vazio jurava que lixo era semente e tentou por toda uma vida plantar, de onde estivesse, os vegetais mais raros do mundo. Não era difícil flagrá-lo tentando plantar uma latinha de refrigerante da janela do ônibus ou uma embalagem de bombom na saída da festa, na rua.
Vazio, que fez jus ao nome, morreu sentado à calçada esperando uma de suas mudas brotar, crente de que elas não nasciam porque as pessoas não regavam direito.

________________________
Gostou? Curta, compartilhe, Clique aqui e comente!

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Maria ia com as outras

Mulher Em Frente ao Espelho - Pablo Picasso

Um dia, Maria, personagem fictícia que vivia na cidade inventada, decidiu que nunca mais iria com as outras, que a partir de agora ela faria somente o que achasse ser o melhor para ela.
Em uma tarde fria do mês de abril, porém, enquanto passeava com seu cachorro, Maria foi interpelada por uma de suas amigas, que perguntou quando ela iria ‘arrumar’ um namorado. A vizinha, que escutava a conversa, foi logo se intrometendo, dizendo que uma moça bonita como ela deveria procurar um namorado logo, e tal e coisa. Outra mulher que passava no local, adivinha? Falou a mesma coisa. Sabe o que Maria fez? Exato.
No dia seguinte, enquanto Maria e seu novo namorado passeavam com o cachorro, foram abordados no mesmo lugar pelas mesmas pessoas, só que agora, elas vendo que Maria havia ‘conseguido’ um namorado, mudaram o discurso, e quase que concomitantemente as mesmas três foram logo perguntando quando o casal iria oficializar a relação, que deveriam se casar logo e tal e coisa. Maria se sentiu tão inferior, por não ser casada ainda, que foi logo tratar do assunto. Marcaram para dali a um mês.
Passada a cerimônia, foram todos para a festa, adivinha quem estava também aproveitando os comes e bebes? E trataram logo de convencer Maria de que um casamento sem filhos não era um casamento e tal e coisa. Não preciso nem falar o que Maria fez, não é?
Após um tempo, enquanto passeava com os dois filhos e os três cachorros, Maria foi abordada por mais uma amiga que foi logo perguntando como ela aguentava estar casada a tanto tempo, que bom mesmo era estar livre, sem ‘correntes’ e tal e coisa.
Maria se separou, voltou a ir com as outras e percebeu que as amigas não haviam pago suas contas.

________________________

Gostou? Curta, compartilhe, Clique aqui e comente!

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A banalização do amor

Fisherman - Claudio Souza Pinto


Imagine a seguinte situação: você está andando pela rua e de repente todos os habitantes da cidade abrem suas janelas e de lá arremessam papéis com escritos representando seus sentimentos, pensamentos, opiniões e, claro, muitas folhas em branco. Você ainda tenta ler algumas, na tentativa de conseguir completar a caminhada,  mas a quantidade de papel é tão absurda que você sucumbe em meio ao mar de folhas.
Loucura? Essa sem dúvida seria a rede social que conhecemos hoje, se não tivessem inventado a internet. Já imaginou?
Que bom então que a inventaram, certo? Certo, foi de grandíssimo valor. Muitas coisas ficaram mais rápidas, mais fáceis, mais cômodas, o mundo ficou pequeno. E parece que nossa mente também. Essa rapidez, esse imediatismo que a internet nos condicionou, reflete-se nos nossos sentimentos. Amamos mais rápido.
Que maravilhoso! – gritou alguém lá da calçada.
Ratificando, postamos que amamos mais rápido. O que temos que ter em mente é que muita coisa entra e sai de moda. Roupas, por exemplo. Hoje achamos meio ridículo os trajes que usamos (ou vimos) nos anos de 1970, mas à época eram ‘supimpa’. Não transformemos o amor em uma roupa, o amor não está na moda. A moda acaba com as pessoas, destrói a personalidade, te força a algo. Se seu amor envolve isto, lamento.
O que está em moda hoje, e mais um vez repito, não confundamos, é a tal da # (hashtag), e se ela vier acompanhada de um te amo, então – #teamo – é como se usássemos uma calça boca de sino nos anos da brilhantina, você é igual a todo mundo.
Ser igual nem sempre é bom, certo? – perguntou a menininha que passeava com o cachorro.

Nunca é bom. Se você ama, diga que ama, poste 25 # (hashtags) e tudo o que tem direito. Mas por favor, não siga uma moda que você possa se arrepender no outro dia. Roupas não têm sentimentos. 


________________________

Gostou? Curta, compartilhe, Clique aqui e comente!

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Sabe aquela velha história de que segunda eu começo?

Arte de Silvio Alvarez

Hoje, caminhando pela calçada, peguei-me pensando na maior promessa feita pela humanidade. Naquela que grande parte da população fez em vão ou fará. Segunda eu começo/eu termino.
Quase fui atropelado.
Depois do susto, surgiu-me outro insight, daqueles que só aparecem nessas situações extremas, e se segunda não existir? Será uma frustração a mais comigo?
Muitos utilizam essa famigerada afirmação como indicativa de que uma atitude só poderá ser tomada no início da semana. Como se a semana começasse na segunda.
O que também não percebemos é que quando chegamos ao ponto de utilizar essa afirmação, que em 90% das vezes não é cumprida, é porque já passamos daquela linha imaginária que marcava o que era o limite, independente da meta que seria estabelecida.
E a coisa mais importante, costumamos nos esquecer que a vida, às vezes, não tem a mesma paciência que nós.
– Então é carpe diem, certo? Falou alguém lá na cozinha.
Não exatamente. Quando Horácio escreveu em seu poema “carpe diem, quam minimum credula postero" ele falava mais em colher o dia de hoje e confiar o mínimo possível no amanhã, e isso nos dias atuais soa como algo irresponsável. Os muitos que tomaram os versos de Horácio como teoria, acordaram no outro dia arrependidos, de uma forma ou outra.
O lugar em que o meu pensamento do quase atropelamento me levou foi para algo mais palpável, senão, mais próximo da nossa realidade.  
– Lá vem mais uma receita de felicidade! Cochichou alguém lá na sala.
Não, não é uma receita. Primeiro porque receitas nunca saem iguais, o que é bom para mim não é para outro. Segundo que isso não existe. Se alguém tentar te vender algo parecido com uma receita de felicidade, não compre. Use o dinheiro para ajudar alguém que certamente te fará mais feliz.

Ele me levou para o óbvio, todos sabemos como ser feliz. Cada um sabe do seu. A única coisa que nos impede é o medo. Medo do novo, do escuro. Talvez seja esse o motivo de tudo começar (na teoria) na segunda-feira, temos tempo para desistir.

________________________


Gostou? Curta, compartilhe, Clique aqui e comente!

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Por que dançar tango?

Juárez Machado


Sem dúvida, essa é uma pergunta que todo mundo (que ainda não dança tango) deve se fazer; por que dançar esse ritmo? Além de outras perguntas, com certeza, devem surgir, a posteriori, algumas afirmações, como: tango é chique demais para mim; ou, tango é complicado demais para mim...
Eu poderia listar algumas dezenas de coisas como forma de convencimento, como o prazer de um abraço, quando se dança; a sinergia quando da escuta de uma canção centenária que ainda vive, encanta e arrepia; a entrega e a confiança quando da caminhada sutil e leve; os risos compartilhados durante uma tanda, as amizades feitas e fortalecidas com as melhores pessoas que se pode encontrar; o aprendizado com a história e a tradição de um patrimônio imaterial.
Poderia, também, discorrer os motivos pelos quais o tango pode mudar uma vida. Falar sobre o aumento da autoestima, a saída do sedentarismo, a aquisição de saúde, o compartilhamento da felicidade.
Talvez até, transcrever depoimentos das dezenas de pessoas que conheço e que tem algo a dizer sobre. Entretanto, sei que tais métodos, hoje, surtem pouco efeito. Sei, inclusive, que poucos lerão até aqui.
Pensando nisso, tentarei responder à pergunta feita inicialmente, da maneira mais prática, fácil e rápida possível, atendendo à demanda atual, com outra pergunta:
Por que deixar para ser feliz depois?

terça-feira, 21 de julho de 2015

O maldito ciclo do coração


Havia decidido passear pela orla, em uma última tentativa de esquecer mais uma frustração de um relacionamento fracassado. Nunca mais me apaixono, nunca mais, gritava em pensamentos. Não sei se houve um culpado, mas me agarrei na prerrogativa de que aquilo era um ciclo e como tal havia se renovado.
Sentei no primeiro banco que vi, comprei um sorvete e comecei apreciar o mar, as pessoas; a escutar as conversas, a me distrair. Até que a paz que havia levado horas para conseguir foi carregada pelo vento.
Um homem, a quem julguei louco, a princípio, estava agitado e parecia buscar alguém na multidão.
Senti-me incomodado no começo, mas depois, foi só inveja, admito. E, em pouco tempo, aquela inveja deu lugar à inspiração.
Coloquei na cabeça que se ele conseguiu daquela forma, tão facilmente, eu também poderia. Larguei o sorvete e a promessa e saí correndo para o outro lado da rua para fazer o mesmo que ele. Fiz. Seria o fim da minha tristeza, pensei.
Para a primeira que passou, ele se pôs à frente e perguntou: “Você quer um amor verdadeiro para a vida inteira?”. Ela, emocionada, aceitou e os dois saíram de mãos dadas.
 Só depois que descobri que ali eram atores em pleno exercício da profissão. Já era tarde. O ciclo continuou da mesma forma, porém, agora, eu estava sem o sorvete e com uma nova promessa na cabeça.  
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...